quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro chora

O Rio de Janeiro está chorando. São 23h45min, chove torrencialmente aqui no meu bairro. Moro na cidade do Rio, mas o pranto é geral: o estado todo chora.
Uma tsunami de violência nos assola. Bandidos estão queimando veículos e levando pânico à população, não podemos trabalhar, estudar, ir ao médico, temos que ficar em casa, ilhados, enquanto eles fazem a farra.
Se eu fosse deputada, apresentaria um projeto de lei acabando com a menoridade (não sei se esta palavra existe) penal. A criança e/ou o adolescente seria julgado de acordo com o seu grau de entendimento da ação praticada.
Segundo entendimento de vários psicanalistas, a partir de 4/5 anos a criança já sabe o que é certo e o que é errado. É claro que eu não julgaria uma criança dessa idade, ainda suscetível aos desejos de outrem, mas, aqueles galalaus que têm idade para decidir que não querem mais estudar, que a escola é lugar de "zoar", que o professor é um ultrapassado e não ensina nada que preste, que o bom memo é sair por aí espancando seus semelhantes ou tacando fogo em conduções, estes seriam julgados como adultos.
Outra coisa, viciado não seria mais um coitadinho. Foi pego com drogas para uso pessoal, então vai direto para uma clínica de reabilitação, na marra. A família paga o tratamento.
Para traficante, prisão perpétua é pouco. Tem que trabalhar para se sustentar e pagar os funcionários públicos de que dispõem. Não gosto de ficar sustentando esses parasitas nefandos que só visam ao mal. São pessoas que nascem com o gene da maldade. Tem gente que nunca fez nada que possa ser considerado bom. Se são psicopatas, sociopatas, têm que ser tratados, lobotomia química ou física, qualquer coisa para extirpar esses cânceres da sociedade.
Estou amarga, revoltada. Pena que no Brasil não há sentença de morte oficial, senão, por mim, esses párias que mesmo dentro da prisão tocam terror na população iriam para a vala mais profunda do cemitério para indigentes.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Racismo

Na quarta-feira passada, 12 de maio, meus filhos e sobrinhos foram ao Maracanã assistir à partida do Flamengo contra a Universidad do Chile. Alguns deles pisavam pela primeira vez no Maraca e a alegria era total. No final, o Flamengo acabou perdendo por 3 a 2. Ao regressarem, enquanto os mais velhos foram afogar as mágoas no bar mais próximo, as crianças contavam extasiadas o que sentiram, na verdade elas nem estavam tão tristes com a derrota do time do coração, a satisfação por terem assistido ao jogo era maior.
Entretanto, para embaçar o brilho da noite, um dos meus sobrinhos contou-me que a torcida do Flamengo, irritada com a atuação do Wágner Love, formou um coro chamando-o de macaco. Fiquei irada e envergonhada. Irada porque sei que a maioria das pessoas que ali estavam ofendendo o jogador ou é ou tem parente "macaco", envergonhada porque a gente vive ensinando às crianças que o racismo é uma coisa abominável e, quando ela vai se divertir, ouve um cântico desses, coroado de preconceito.
Quase chorei, não pelo Wágner Love, que, por ter continuado em campo sem reagir, demonstrou um autocontrole que sei que eu não teria. Eu, com certeza, teria mostrado alguns dedos para o Maracanã lotado e convidaria a mãe de cada um para conhecer o macaco depois do jogo. Fiquei muito triste por saber que os filhos do Brasil, que são chamados de macaquitos lá fora, comportam-se da mesma forma com seus irmãos, seus compatriotas, seus semelhantes.
Gostaria de ver qualquer negão na plateia reagir com o fair play do Love.
Resumindo: desestabilizam os jogadores quando eles mais precisam de apoio (ou será que há quem pense que estes estão ali para perder?) depois, querem resultados positivos.
Bem, alguém dirá, os jogadores ganham para isso, têm que estar preparado. Sim, mas antes de tudo, lembremo-nos que eles são seres humanos, portanto sujeitos a todas as idiossincrasias da espécie, não são máquinas, não são robôs, têm o direito a altos e baixos e a reagir mal. Ninguém sabe as cicatrizes que carregam, as dores que ainda sentem na alma quando surge uma situação dessas.
Já faz quase uma semana, porém a minha dor e a minha vergonha ainda não passaram, por isso estou escrevendo, para minimizar o meu sofrimento por saber que o cancro do racismo ainda está ativo, vivo em nossa sociedade, tomando conta do espírito de pessoas de todas as cores.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

08 de abril de 2010 - Ontem houve uma avalanche num morro chamado Bumba em Niterói. Muita gente morta, muitos desabrigados, muitos feridos. A "comunidade" foi construída sobre um lixão desativado. Quem permitiu essa barbaridade? O que os governantes fizeram? Essas pessoas não têm valor? Pelo visto, não, uma vez que a localidade era provida de energia elétrica legalizada, ou seja, era de conhecimento público sua existência regular. Então, cabe aos próprios moradores de um local quando virem a primeira residência irregular surgir, derrubarem sem esperar providências das autoridades, porque, senão, logo chega um político demagogo e irresponsável fornecendo vergalhões e tijolos e colocando faixas de apoio ao novo "bairro" e um juiz dando ganho de causa aos moradores, mas na hora da tragédia ninguém se apresenta para assumir sua responsabilidade.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Hoje é dia 07 de abril de 2010, a minha linda cidade está doente. Tomou um banho muuuuiiiito demorado numa banheira e ficou encharcada. Chega de metáforas. O Rio de Janeiro ficou submerso, não só em água, também na falta de educação de seu povo e de providências de seus governantes.
Ontem, quando voltava para casa, percebi que a passarela que leva ao metrô da Pavuna era só lixo, aliás aquela passarela é um retrato do descaso da Companhia do Metropolitano com os desfavorecidos. Está certo que o metrô da linha 2 nem parece irmão do da linha 1. Vejamos: Em Botafogo, para sair da plataforma você tem que subir escadas ou então se submeter àquela humilhante cadeirinha. Em Copacabana e em até algumas outras estações, mormente no centro da cidade, a escada rolante está disponível desde a plataforma, na verdade até na Pavuna você tem escada rolante a partir da plataforma, por que não em Botafogo? Então haja joelhos!!!
Outra: Botafogo é estação terminal da linha 2 de segunda à sexta (exceto feriados), eu que vou à Baixada no final de semana, tenho que fazer baldeação no Estácio. Tudo bem, já estou acostumada, mas não entendo o porquê.
Na estação Estácio, as pessoas que são discriminadas positivamente (deficientes, idosos, grávidas, etc) podem acessar a plataforma na qual o trem abre as portas primeiro, podendo então viajar sentadas. Em Botafogo não tem disso. Vejo cegos, idosos, grávidas, crianças pequenas, disputando lugares com os demais e, é claro, que sempre perdem.
Como o carioca não é igual ao paulistano que foi eleito o povo mais gentil do Brasil, continua ignorando o direito das pessoas sentando com a maior cara de pau nos assentos preferenciais e fingindo que não está vendo os necessitados.
De qualquer forma, o dinheiro do pobre sempre valeu menos que o dos ricos, vide o "metrô de superfície", sempre sujo, sem ar condicionado, etc. Só que o preço da passagem é o mesmo. Vá entender!
Bem, chega por hoje, porque estou meio amarga, por conta das mazelas da cidade e da tristeza que nos abate com tantas mortes e tanto desespero dos moradores de "comunidades" - detesto esta palavra definindo favelas - construídas em locais de alto risco com a conivência dos governantes e de magistrados que deveriam responder por estas mortes.